Ainda Estou Aqui - Crítica Cinematográfica por Amanda Mendes


*Contém Spoiler
A história de Eunice Paiva e Rubens Paiva perpassa pelos anos 60, 70, época da Ditadura Militar no Brasil, repleta de cenários, figurinos e trejeitos fidedignos. Antes dos tempos sombrios, de desalma, podemos desfrutar da memória irretocável do futebol de rua, das confraternizações com familiares e amigos, da inocência e da liberdade que nos foi roubada e o amadurecimento abrupto e prematuro que nos foi necessário assumir.
Ainda, os dias de cativeiro de Eunice Paiva e a espera interminável pelo marido, Rubens Paiva são um soco no estômago. Assim como a primorosa trilha sonora com obras como É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, de Erasmo Carlos, a matriarca coloca-se como forte para a família, bem como para o governo, a fim de provar as atrocidades cometidas pelos milicos em relação à Rubens Paiva. E de fato, era "preciso dar um jeito" como na composição de Erasmo para a personagem central, Eunice Paiva em busca de reparação histórica.
Ainda Estou Aqui é uma compilação de resistência e presença, embora os dias nos sejam de dor insuportável. É preciso estar aqui, atentos e fortes, não temos tempo de temer a morte, como já dizia Gal Costa. Afinal, mudam-se os tempos, mas não as ditaduras às quais somos submetidos todos os dias. É preciso dar nome aos nossos algozes.
A.M


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