O frenesi do tempo

Updated: Jun 13, 2025
Sempre vivi num frenesi. Quando havia um sopro de linearidade, vinha a vida tão ligeira e trazia o caos.
Dia destes estava tão cansada, que entrei num vórtice de organização às 2 da manhã.
Arrumei pincéis de maquiagem, a minha bolsa, os meus cartões, só estava esquecendo de arrumar a casa interior. Deitei na cama, lembrei que não tomei o suplemento de ferro, não fiz o skincare, não segui a novena, descumpri a promessa. A essa altura, Deus também deve estar exausto, confesso.
Contava as horas de sono, tentava um mantra, meditação e não desligava. Resolvi ler as notícias do mundo, como eximia jornalista e desconcentrei. Claro, olhos marejados, típico de quem lê e assina contratos e fica horas digitando. Meus pés doiam do salto agulha que usei o dia inteiro, sentia a flacidez no corpo dos dias em que faltei na academia e um arrependimento por ter recorrido a um cigarro.
Tentei também um livro leve, tomei birra na primeira página. Estava inquieta.
Resolvi ir pra varanda e arrastei um cobertor semi enrolado no corpo como uma criança e senti a gelidez do silêncio. Fazia 7 graus lá fora. Deitei no chão. Fui de encontro ao céu. O tempo parou, foram instantes etéreos que curaram a alma e aliviaram os pesos do mundo!
E lá se vai mais um dia...
A.M



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