2023

Updated: Jan 26, 2024
2023, não me venha falar em prudências! Caminho em direção a varanda, a busca para dentro segue num frenesi, sem remediar. A impermanência artística atinge o peito, rasga a carne. Tropeço em alguns desafetos, desaforos, desamores, desencontros avassaladores e incoerências gentis, encontros, laços, desejos, devoções, despertares, velhos costumes.
Imprudente espreito afoita pela janela. Pelo avesso me atravessam versos, recordações. Inflama a luz da incerteza e a lua surge no breu. Não sei se vou ou se fico. Se morro na lágrima ou vivo no riso. De quê me serve o retorno? Se o futuro se insinua na avenida. Minhas vestes já não servem mais, crava em meu peito as marcas e cicatrizes. O ano novo já não é tão longe, veio me buscar.
Até breve, caros leitores.
A.M


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