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A febre

Writer: Amanda Mendes
Amanda Mendes
Mar 19, 2024
1 min read

Updated: May 17, 2024


Todos os dias percorro um caminho e passo por uma casa abandonada, folhas secas espalhadas pelo chão, janelas destruídas, dobradiças enferrujadas, porta desgastada e um senhor franzino, esquálido com olhar distante e a roupa rasgada sentado na varanda. Ontem refiz o trajeto, as portas e janelas da casa empoeirada estavam trancadas, o senhor já não estava na varanda.

Certa vez, Maria Bethânia declamou: "Dor é o lugar mais fundo. É o umbigo do mundo. É o fundo do mar". Talvez não haja definição tão apropriada para a depressão. A sua presença é insustentável, sua persuasão enverga-nos ao fardo, ao peso da existência, impregnando-nos por uma febre ardente.

É a euforia interrompida, um eco seco da alma, ferida infeliz, grito abafado, súplica dos afogados, sopro do precipício, saída de emergência.


A.M


 
 
 

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