Recomeços


Lembro de ter saído daquele ambiente com o coração em pedaços, só tive tempo para chamar um carro. Tentei segurar o choro, mas lágrimas voluptuosas surgiram até o décimo segundo andar no elevador.
Em casa, desabei. Mais uma vez uma porrada da vida. Dentre tantas outras que já me envolveram. Não conseguia me conectar com Deus, tão pouco com o mundo espiritual. Quando sou acometida por injustiças e desacatos, me recolho.
E por ai vieram noites de sonoterapia e o velho pijama surrado. Não conseguia desabafar, me mantive ali em posição fetal no fundo do poço com as paredes comprimindo o meu corpo. Procurei uma resposta dentro de mim. Nada. Um cansaço no âmago, um corpo com gotas de orvalho ao relento. Um frio dentro do peito oco que ressoa. A menina do mergulho no olhar desta vez não escolheu-se, encolheu-se. Não sobrou ventania no peito, apenas solitude.
Mas, a dor sempre moveu o meu destino. Foi secando as lágrimas, com uma ferida aberta que enfrentei os grandes desafios da minha vida.
A dor moldou quem sou como uma colcha de retalhos, remendando cada história. Viro, reviro o jogo, balanço. Sou feita de recomeços. Sou predestinada a alumiar o coração dos que precisam de acalento. Tenho devoção e vocação.
Nada apaga essa chama, embora já tenha morrido nos becos mundanos, esvaindo-me em sangue. Como diz o cantor Silva, já não levo mais o medo do fim!
Nunca desista de si!
Amor,
Amanda.


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